Até o momento, realizei alguns aportes em Sanepar (SAPR4) sem uma definição clara a respeito do preço-teto da ação, pois ainda estava desenvolvendo formas de fazer essa análise. Claro que estou ciente da irresponsabilidade deste ato, porém o fato de terem sido aportes baixos me deixa em uma situação menos desconfortável. No entanto, à medida que novos aportes são feitos, a estratégia precisa garantir rentabilidade, ou seja, que o preço médio no qual as ações são compradas seja sempre inferior ao preço-teto, para que os proventos decorrentes dessa ação sejam generosos, considerando o dividend yield.
O histórico da empresa mostra sua solidez, que desde 2011 possui valores crescentes de receita líquida e lucro líquido, sendo que este último, em 2020, foi decrescente, para o qual se pode atribuir os efeitos não só da pandemia, mas também da crise hídrica. De toda forma, essa diminuição foi quase estável. A empresa teve um lucro líquido dos últimos 3 anos de aproximadamente R$ 989 milhões e um payout que desde 2012 a 2018 foi de exatos 50%, porém que diminuiu a partir daí; portanto, nos últimos 3 anos, foi de 37% em média.
Em relação à frequência de distribuição de proventos, desde 2010 a empresa não falhou em pagar semestralmente juros sobre capital próprio, e dividendos no mês de abril, este último não tivemos a partir de 2019. Será coincidência com a mudança de CEO? Cláudio Stabile assumiu a direção da companhia em 1º de janeiro de 2019. Esse é um movimento comum em empresas estatais, pois espera-se que, a cada mudança de governo, haja mudanças nas gestões dessas companhias. De acordo com o release 1T21, o índice Dívida Líquida/EBITDA se encontra em 1,4x, o que é altamente saudável. Para os próximos 60 meses, a dívida permanece abaixo dos R$ 600 milhões por ano, estável portanto.
Quando comparada a outras empresas do setor de saneamento, como Copasa (CSMG3) e Sabesp (SBSP3), a Sanepar possui maiores índices de margem bruta (59%), margem EBITDA (40%) e margem líquida (21%), assim como é superior em ROE (13,73), ROIC (9,15) e ROA (11,23), ou seja, é a que mais dá retorno ao acionista. Atualmente, o papel SAPR4 possui índice P/L em 6,11 (menor que as outras empresas) e o P/VPA se encontra em 0,84, ou seja, ela está sendo negociada abaixo de seu valor patrimonial.
Agora em relação às atividades da empresa, observa-se no 1T21 que 83% da receita depende de contratos de concessão/programa com vencimento após 2029, o que assegura continuidade de receita operacional a um longo prazo. O contrato de programa em Curitiba, que representa 21,1% do total de receitas, tem vigência remanescente de 27,5 anos. É possível ver, pela redução do volume faturado de água e de esgoto (-5,2%), os efeitos da crise hídrica no Estado, o que ocasiona medidas de racionamento de água.
Como uma das principais premissas do Relatório da Agência de Ratings Fitch, está a previsão de distribuição de dividendos em 2021 de R$ 268 milhões, sendo que a empresa já distribuiu R$ 151 milhões, ou seja, ainda seriam distribuídos R$ 117 milhões. Conforme essa previsão, que é bem pessimista, o dividendo projetado por ação para 2021 seria de R$ 0,18 e, considerando um dividend yield de 6%, o preço-teto seria R$ 3,00.
Da leitura do Release 1T21, não foi possível identificar investimentos que foram concluídos no período analisado, bem como outras fontes de aumento de receita que pudessem justificar aumento considerável no lucro operacional e consequentemente no lucro líquido, portanto acredita-se que o LPA permanecerá estável em 2021. Ao se considerar, portanto, o lucro líquido dos últimos 3 anos, de R$ 989 milhões, e um payout médio de 37% (também média dos últimos 3 anos), obtém-se um preço-teto de R$ 4,04. Vamos acompanhar o trabalho da companhia para analisar a necessidade de reavaliar o preço-teto, se houver mudanças significativas na gestão ou na estratégia. Em uma análise mais pessimista, caso se mantenha o payout médio dos últimos 2 anos (desde a mudança na gestão) de 32%, o preço-teto cai para R$ 3,49.
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