Irei utilizar este blog como meu diário pessoal de investimentos, no qual farei atualizações (pelo menos mensais) da minha carteira, explicando as minhas decisões de investimento.
Iniciei no mundo dos investimentos em 2016 (até então só utilizava a poupança), quando, por indicação de um colega de trabalho, vi que o banco no qual eu era correntista ofertava um investimento chamado BB Renda Fixa 500. A empolgação de uma possível renda maior que a poupança fez com que eu fizesse alguns aportes nesse investimento, dos quais eu não me recordo muito bem, pois sequer tinha controle do que estava fazendo, totalmente às cegas. Sinceramente eu não me recordo se tive lucro ou prejuízo, e à época eu não fazia o controle dos meus investimentos.
Foi exatamente em 4 de dezembro de 2016 que eu criei uma planilha de controle de investimentos e a utilizo até hoje, claro com melhorias nos dados e informações que eu coloco lá. Porém a desvantagem, na minha opinião, da planilha é que é um lugar no qual, a menos que eu coloque milhões de comentários ou notas, eu não posso descrever o que penso sobre os investimentos que faço, com os registros temporais das decisões, que me permitam avaliar a evolução e maturidade em relação ao mercado financeiro.
O primeiro registro que tenho na planilha de investimentos data de 02/08/2016, e se trata de um investimento em Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Apenas me recordo que fiquei bem atraído com a taxa (que nem sabia que na realidade era baixa, pois era no próprio banco) e com a isenção de Imposto de Renda (IR). Foi quando conheci as corretoras de valores e foi amor à primeira vista com as taxas nulas para as operações, em comparação com os bancos. Continuei na renda fixa e passei pelo Tesouro Selic, CDB e meu primeiro investimento arrojado foi em 02/08/2021 num robô da Monetus, no qual era possível controlar a porcentagem do aporte em renda variável. À medida que eu aumentava esse percentual, o gráfico do lucro acompanhava a subida, e eu fiquei encantado. O Ibovespa estava em uma fase razoavelmente boa e, por isso, o gráfico só subia. No entanto, as taxas me incomodavam, e comecei a perceber que deveria tomar as rédeas dos meus investimentos.
Lembro de ao acaso ter encontrado uma lista de empresas listadas na bolsa de valores e que eram bem consolidadas, as famosas "blue chips" e, também ao acaso, comecei a acompanhar a cotação da CMIG4, pois o papel era, digamos, acessível. À época custava cerca de R$ 7,15. Algum tempo depois, quando houve uma queda na cotação, por acreditar estar barato o papel, fiz minha primeira compra na renda variável: 100 papéis de CMIG4 a R$ 6,90. O papel não parava de subir, e em 17/04/2018 eu realizei um lucro real de 15,74%. Desde então, não saí mais da bolsa de valores.
No entanto, até o começo deste ano de 2021, eu não tinha uma estratégia bem definida, e eu apenas sabia que deveria fazer aportes, o máximo possível, nas blue chips. Desde 2016, aos trancos e barrancos, fui realizando esses aportes basicamente em CMIG4 e PETR4, e construí o patrimônio que tenho hoje. Não é um valor alto, pois uma ausência de estratégia e planejamento, e uma necessidade de realizar saques (compras de veículos e outros motivos pessoais), afetaram o desempenho da minha carteira pessoal.
Em maio de 2021 eu decidi iniciar uma estratégia (previdenciária) à qual me agarraria, e que seria similar à do maior investidor pessoa física do Brasil, Luiz Barsi, mas com uma pequena exposição ao risco em outros ativos, basicamente em criptomoedas, com o objetivo de destinar os lucros dessa pequena parte à maior parte da carteira, ou seja, para compra de novas ações pagadoras de dividendos.
Considero que no momento atual o meu maior desafio é saber o preço justo de uma ação, para que possa comprar a bons preços. No momento, estou apenas olhando para os gráficos das cotações para fazer os aportes, o que sei que não é a estratégia correta.
Esta carteira, portanto, seria composta de até 90% por ações de "boas empresas, compradas a um bom preço, e boas pagadoras de dividendos" e 10% em criptomoedas. Ainda estou estruturando minha reserva de emergências, para a qual ainda não defini um percentual.
Ainda estou estudando a estratégia previdenciária e, por isso, e principalmente tendo em vista que os aportes são baixos, estou me dando ao luxo de não saber exatamente a parte de "bom preço" da estratégia, com o foco principalmente de juntar ações. Pretendo ainda me especializar nessa estratégia para ser capaz de realizar bons aportes (na hora certa). No momento, tenho em mente que devo "iniciar a rolagem da bola de neve", para que o reinvestimento dos dividendos faça minha carteira crescer em volume de ações e assim por diante. Porém vou tentar focar em saber o valor para compra dos ativos.
Atualmente, minha carteira se encontra assim:
- Ações (76,29%): R$ 14.828,38 de SAPR4, PETR4, SANB3, TRPL4, CMIG4 e MGLU3;
- Criptomoedas (8,24%): R$ 1.601,88 de Ethereum e Bitcoin;
- Dinheiro em caixa (15,47%): R$ 3.007,66.
Total: 19.437,92 reais.
Evolução patrimonial da carteira:
- Início de junho/2021: 19.347,92 reais.
A partir de agora vou explicar os aportes e as tomadas de decisão.
As ações de PETR4, CMIG4 e MGLU3 que possuo foram aquelas que comprei sem uma estratégia definida. Eu quero me livrar delas para poder focar na estratégia previdenciária. Para essa estratégia, eu me baseio na carteira do Barsi, e invisto nos setores do BESST (Bancos, Energia, Saneamento, Seguros e Telecom). Atualmente, para não diversificar tanto, estou apenas nos setores Bancário, Saneamento e Transmissão de energia elétrica com as ações de SANB3, SAPR4 e TRPL4, respectivamente.
Iniciei a estratégia previdenciária com as ações de SANB3, pois, à época do meu primeiro aporte na estratégia (05/04/2021), era a ação do setor bancário que possuía os melhores indicadores fundamentalistas. Ao estudar a empresa, vi que houve um aumento crescente do lucro líquido desde que o atual CEO, Sérgio Rial, assumiu. Realizei alguns estudos sobre a carreira dele, e assisti a algumas entrevistas, e pude perceber que se trata de um profissional muito capacitado para a liderança do banco. Além do crescimento do banco desde 2016, quando ele o assumiu, a divulgação dos resultados do 1T21 mostra que, mesmo com baixas expectativas para o setor bancário no período, o Santander apresentou um lucro trimestral recorde na história da instituição, assim como um ROE. No momento em que realizei os aportes, o SANB3 possuía bons indicadores fundamentalistas (ROE, margem líquida, P/L, P/VPA) em comparação a outros bancos, assim como o índice de Basileia. Porém ainda pretendo estudar melhor o mercado para decidir em relação a aportes maiores e futuros. O primeiro aporte ocorreu um pouco antes da divulgação dos resultados de 1T21, e logo após o papel valorizou mais de 10%, o que me deixou satisfeito, mesmo sabendo que as variações no curto prazo não são relevantes para a minha estratégia, mas de certa forma me mostrou que eu estava escolhendo bons papéis.
A segunda ação da carteira previdenciária que comprei foi TRPL4, a qual confesso que ainda estou estudando a empresa e o mercado, porém fiquei atraído pelo alto DY aliado ao baixo índice de Dívida Líquida/EBITDA, o que mostra que a empresa possui hábitos saudáveis de distribuição de dividendos e receitas operacionais boas e constantes. Os indicadores fundamentalistas também estavam melhores que o de TAEE11, por exemplo, porém, como já falado, ainda falta definir um preço justo para a ação. O setor de transmissão é bem perene, com receitas previsíveis (Receita Anual Permitida - RAP) e frequentes distribuições de dividendos.
A terceira ação que comprei para a estratégia previdenciária foi SAPR4, do setor de utilidades (saneamento). A meu ver, além da queda na cotação, ocasionada pela pandemia (da qual poucas empresas se recuperaram), entendo que a crise hídrica no Paraná ainda afeta o preço desta ação, o que me fez neste último mês realizar bons aportes na empresa. No entanto, ainda estou estudando o mercado e a empresa, porém na análise dos indicadores fundamentalistas com outras empresas do setor, verifiquei que a Sanepar possuía os melhores índices quando fiz os aportes. Tentei utilizar como parâmetro de preço o indicador P/VPA, e decidi aportar tendo em vista que o valor atual estava abaixo da média dos últimos 5 anos. Essa empresa apresentou, no momento do aporte, maiores margens líquidas, ROE, ROIC, possui um bom índice de endividamento (Dívida Líquida/EBITDA) e também um lucro líquido que até 2019 era crescente. Mesmo com queda no lucro líquido, vi uma boa oportunidade em decorrência das crises hídrica e da pandemia.
Quanto à exposição às criptomoedas, iniciei com Ethereum e houve uma grande valorização. Logo em seguida fiz pequenos aportes em Bitcoin, para o qual também houve uma razoável valorização, porém, no momento atual, devido a alguns tweets e ações do Elon Musk, houve uma queda significativa dessas duas moedas. Aproveitei para fazer um pequeno aporte em Bitcoin esse mês.
Agora em relação ao principal objetivo da carteira previdenciária, os dividendos, neste ano o resultado ainda foi bastante influenciado por ações que comprei atrás, mas que não possuem relação direta com a estratégia. Até o momento, em 2021 o resultado em dividendos da carteira foi o seguinte:
O objetivo, claro, é fazer com que os dividendos cresçam.
A estratégia da carteira previdenciária é "comprar boas empresas, que pagam bons dividendos, a bons preços". Em um vídeo da Louise Barsi, ela diz que na estratégia eles observam 4 principais indicadores: o ROIC, Dívida Líquida/EBITDA, fluxo de caixa livre e P/VPA.
Eu acredito que consegui associar cada um desses indicadores a cada parte do lema da estratégia. Os indicadores ROIC e Dívida Líquida/EBITDA se referem à parte do "boas empresas", pois indicam que uma empresa possui boas receitas, tanto aquelas operacionais, ou seja, as relacionadas diretamente com as atividades fins, como no gerenciamento dos demais ativos da empresa; e também que a empresa é gerida de forma saudável, de modo que possua boas receitas operacionais para honrar com seus compromissos, e este último indicador não pode passar de 4. Esses dois indicadores refletem uma boa gestão da empresa, ou seja, "boas empresas".
O fluxo de caixa livre é um indicador que eu associei principalmente a "pagar bons dividendos", pois a empresa precisa ter dinheiro em caixa para isso. É claro que esses conceitos estão relacionados, pois ter dinheiro em caixa pode estar associado também ao fato de a empresa ser bem gerida.
Já o P/VPA eu associei a "ter bons preços". É parte da estratégia previdenciária fazer aportes a bons preços, para valorizar o dinheiro que a gente destina aos investimentos.
Ressalto que minha maior tarefa no momento é estudar a estratégia, e também manter o foco nos aportes.
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