segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Como fica o preço-teto da AESB3 após a divulgação dos resultados do 2T21?

     Em 18/07/2021, eu havia feito um estudo para tentar chegar ao preço-teto de AESB3, quando só havia sido divulgado o resultado do primeiro trimestre de 2021. Veja a conclusão que cheguei à época:

Na média dos últimos 3 anos, a empresa teve um lucro líquido de 337 milhões e um payout de 107%. Ao se considerar um aumento do lucro líquido em pelo menos 5%, devido à conclusão da compra de 2 complexos eólicos já em operação em 30 de abril, e considerando que o payout de 2020 foi fortemente afetado pela pandemia, sendo que normalmente é superior a 100%, projeta-se um lucro líquido em 2021 de R$ 336 milhões (portanto um LPA de R$ 0,84) e um payout de 107% (média dos últimos 3 anos). 
Nesses parâmetros, temos um preço-teto de R$ 15,01, o que parece ser uma projeção bem conservadora.
 No 1T21 tivemos um primeiro pagamento de dividendos com payout de apenas 73%. Caso permaneça esse percentual no pagamento previsto em agosto, o preço-teto deverá ser revisto, pois a projeção não será respeitada.

    Veja que fiz algumas premissas que precisamos verificar se foram adequadas. Vamos analisar ponto a ponto:

Ao se considerar um aumento do lucro líquido em pelo menos 5%, devido à conclusão da compra de 2 complexos eólicos já em operação em 30 de abril, e considerando que o payout de 2020 foi fortemente afetado pela pandemia, sendo que normalmente é superior a 100%, projeta-se um lucro líquido em 2021 de R$ 336 milhões (portanto um LPA de R$ 0,84)

    Conforme o release do 2T21, observa-se que o lucro líquido do período foi de R$ 27,5 milhões, ou seja, redução de 76,9% no comparativo do mesmo período do ano passado. Portanto, desde o começo do ano, o lucro líquido total foi de R$ 120 milhões, faltando ainda R$ 216 milhões para alcançar o lucro que eu projetei.

    O resultado foi fortemente afetado pela crise hídrica, pois a diminuição dos níveis dos reservatórios afeta a capacidade de geração de energia elétrica, o que faz com que a AES Brasil tenha que comprar energia para poder honrar seus contratos. Isso se reflete nas despesas da empresa, que teve um aumento de 53,4%.

    Essa queda no lucro pode indicar uma baixa nos preços do papel e apontar para oportunidades de aporte. Devemos, contudo, continuar acreditando na estratégia da empresa, pois não se verificou qualquer perda de fundamentos da empresa e, muito pelo contrário, o time está focando na elevação do nível de contratação, o que poderá aumentar a receita da empresa. É totalmente aceitável que o lucro diminua diante de uma crise hídrica e que a perenidade do setor se mostrará prevalecente. Devemos lembrar que as melhores oportunidades de aporte surgem diante das crises.

    A diminuição forte no lucro poderá diminuir o yield on cost caso a empresa não consiga recuperar o fôlego nesse cenário, porém ainda se mostra como uma boa empresa e mantém-se o preço-teto em R$ 15,01. Há uma grande variação no lucro da empresa ao longo do ano e, por isso, não se pode afirmar de cara que ela não irá ter maiores lucros até o final do exercício de 2021. Espera-se também um retorno imediato em decorrência do início da operação de geradores eólicos de Mandacaru e Salinas, com funcionamento a partir de abril de 2021.

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