Como uma continuação a respeito da eficiência dos aportes, durante este mês de novembro, que estou utilizando para fortalecer meu caixa, devido a investimentos maiores do que o planejado para o mês de outubro, estou realizando uma análise para verificar quais serão as próximas compras, provavelmente em dezembro ou ainda este mês se houver uma ótima liquidação na bolsa.
Com base na análise da margem da cotação em relação ao preço-teto, hoje vejo que há 3 empresas em diferentes setores que possuem margens próximas ou maiores do que 30%. A menos do setor de telefonia, que ainda não iniciei os estudos, o setor de seguros, para mim, é o que menos apresenta boas oportunidades.
Dessas três empresas, uma eu já possuo em carteira. O que as três têm em comum é o fato de serem estatais/controladas pelo Governo.
Hoje, a minha carteira possui a seguinte composição e características:
- 8 empresas no total;
- 6 delas são de fato previdenciárias, e as outras 2 eu quero me desfazer;
- Das 6 previdenciárias, 3 são controladas pelo Governo;
- Do total do portfólio, 4 são controladas pelo Governo.
São elas, em negrito as controladas pelo Governo:
- Petrobras;
- Magazine Luiza;
- Santander;
- Sanepar;
- Isa Cteep;
- AES Brasil;
- BB Seguridade; e
- Banco do Brasil.
Muitos investidores têm receio ao investirem em estatais ou empresas controladas pelo Governo devido à forte interferência política, seja nas trocas dos comandos das instituições, seja na interferência em relação às tomadas de decisão. O que temos visto é que as interferências políticas geram, no curto prazo, oscilações negativas nas cotações dessas empresas.
Será então que essas oscilações negativas resultantes de interferência política prejudicam a estratégia previdenciária, que é focada no longo prazo? Vejamos essa imagem que encontrei no site medium.com sobre "Os Ciclos de Alta da Bolsa segundo Luiz Alves Paes de Barros", na qual são destacados importantes eventos da história e o gráfico "dolarizado" do Ibovespa: O que vemos é que, durante vários anos, em períodos inferiores a 10 anos, o Ibovespa pode apresentar comportamentos de alta ou de queda e, no curto prazo, oscilações consideráveis. Porém, dos eventos destacados, eu queria ressaltar aqueles relacionados aos governos, por exemplo, FHC, Lula, Dilma, Bolsonaro, etc. Perceba que sempre há momentos de alta ou de baixa, e nesses instantes há o que se considera uma resposta do mercado às ações do Governo. Se é tomada uma medida populista que, por exemplo, ameaça as contas públicas, o mercado de forma geral passa a ter receio de investir no Brasil, com medo de que o país quebre, e retira os investimentos e os leva para o exterior. Com isso, o índice da bolsa costuma cair. E o contrário também ocorre: quando há otimismo no país, os investidores aportam seu capital aqui e, com isso, o índice costuma subir.
O que chamo atenção é que, olhando o gráfico de forma panorâmica, desde 1955 até os dias de hoje (no caso da figura até 2020), há um claro movimento de ascensão do índice Ibovespa, representado pela reta verde ascendente que atravessa a imagem.
Isso quer dizer que, entra governo, sai governo, entra crise, sai crise, a tendência é que no longo/longuíssimo prazo, o índice tende a subir. Por este motivo, se você é fiel à estratégia previdenciária e investe focado no longo prazo pelo menos, a tendência é que haja uma valorização nos ativos da sua carteira.
Dessa forma, no geral, minha opinião é que, se o foco é o longo prazo, o risco estatal/controle do Governo é altamente diluído.
Então, voltando à questão da margem cotação em relação ao preço-teto, se as empresas com melhores oportunidade são estatais, então vamos comprá-las. Porém precisamos estar ciente que no curto e médio prazos pode haver uma forte desvalorização dos papéis e considerável impacto no seu patrimônio.
Precisamos ter em mente que, como Barsi costuma dizer: "o patrimônio é a medida do ego, o que pagam os boletos são os dividendos". Enxergue essas quedas como oportunidades de compra para o longo prazo, e desvie a atenção da variação do seu patrimônio.
Então, para voltar ao raciocínio das melhores oportunidades do momento na minha opinião, são elas:
- Setor bancário: Banco do Brasil (BBAS3). Preço-teto de R$ 47,70 e margem de 36,79%;
- Setor elétrico: Copel (CPLE6). Preço-teto de R$ 9,74 e margem de 35,96%;
- Setor de saneamento: Copasa (CSMG3). Preço-teto de R$ 18,63 e margem de 28,07%.
Perceba que são todas controladas pelo Governo Federal/Estadual. Porém isso não será relevante para nós.
O preço-teto definido para o Banco do Brasil leva em conta as projeções de lucro para o ano de 2021, que foram revisadas para cima pelo menos três vezes pelo próprio Banco, o que mostra o otimismo na performance da empresa neste ano. Além disso, considera-se um payout de 40%, que tende a ser maior nos próximos anos, devido ao elevado índice de Basileia do BB, que é uma "reserva" que os bancos têm para garantir segurança às suas operações de crédito. Quanto maior esse índice, mais dinheiro o banco "tem disponível".
Já a Copel está tendo um excelente resultado neste ano de 2021, e que desde 2017 vem crescendo substancialmente (CAGR 5 anos de 36,55%). No 3T21, teve um lucro líquido fortemente influenciado por eventos não recorrentes, porém ainda superior ao 3T20 se desconsiderados esses eventos. O grande problema dessa empresa é que anuncia e paga dividendos apenas 2 vezes ao ano.
Em relação à Copasa, houve uma brusca queda no lucro líquido, porém foi causada por eventos não recorrentes, como o Programa de Desligamento Voluntário Incentivado (PDVI) e devolução tarifária, referente a cobranças realizadas indevidamente pela empresa. Desconsiderando esses efeitos não recorrentes, o lucro líquido apresentaria uma variação bem pequena. A empresa demonstrou um controle das despesas operacionais e administrativas no trimestre de 3T21, com crescimento bem abaixo da inflação do período. Um ponto negativo é que a empresa não demonstrou atingir o capex previsto para o ano, bem como o valor investido nesse ano ainda está bem longe do previsto para o ano seguinte, o que deixa dúvidas acerca da capacidade da empresa em realizar investimentos. Essa empresa anuncia dividendos de 3 a 4 vezes por ano, o que é um ponto positivo, quando se pensa em geração de renda recorrente.
Pretendo ainda futuramente realizar estudos separados de cada uma dessas empresas, pois se mostram como as melhores oportunidades de compra no momento, quando analisado o preço-teto e a cotação atual. Porém seguirei aportando em BBAS3, que apresenta a maior margem e na minha opinião as melhores perspectivas concretas de distribuição dos lucros.
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